da redação
Se você chegou aqui porque pesquisou "quando fazer exame de próstata" às onze da noite, relaxa: não é só você. Milhões de homens no Brasil adiam consultas urológicas por vergonha, por falta de tempo ou porque acham que "ainda tá cedo". A verdade é que o corpo avisa — urina fraca de manhã, ardência depois de relação, dor na virilha que some e volta — e a gente costuma normalizar até virar rotina.
O Caderno do Homem nasceu desse incômodo. Não somos clínica, não vendemos suplemento e não prometemos cura em três dias. Somos um espaço editorial que traduz o que a urologia diz hoje para quem vive em São Paulo, no Rio, no interior do Ceará ou em qualquer lugar onde o SUS é a porta de entrada da saúde. Falamos de prevenção, de exames, de tabus que ainda pesam na sala de espera e de feiras de saúde que aparecem na praça do bairro com fila enorme e pouca explicação.
Nosso tom é conversa de bar com responsabilidade. Você vai ler sobre check-up de próstata sem jargão desnecessário, sobre infecção urinária que muita gente acha "coisa de mulher" (spoiler: homem também pega, e às vezes pior), sobre disfunção erétil sem piada barata nem tom de panfleto de farmácia. Sempre deixamos claro: texto editorial não substitui consulta. Mas pode ajudar você a chegar no urologista com perguntas melhores.
Publicamos pouco e com calma. Três textos nesta edição, escolhidos porque respondem dúvidas que chegam toda semana no nosso e-mail. Se quiser ir direto ao ponto, role para a lista numerada abaixo. Se preferir entender quem somos e como trabalhamos, temos a página sobre e a política editorial — sem juridiquês excessivo, prometemos.
Uma nota sobre o contexto brasileiro: a urologia pública varia muito de município para município. Em algumas capitais, a fila para PSA demora meses; em outras, a unidade básica já encaminha com agilidade surpreendente. Nossos textos citam o SUS porque é realidade da maioria dos leitores, mas reconhecemos que quem tem plano de saúde também enfrenta barreiras — agenda lotada, exame repetido sem explicação, vergonha na hora de descrever sintomas. O objetivo é o mesmo: informação que empodera, não que substitui o profissional.
Em junho de 2026, três temas dominam nossa caixa de entrada. O primeiro é rastreamento de próstata: homens entre 48 e 62 anos querendo saber se o toque retal ainda é obrigatório ou se o PSA sozinho basta. O segundo é infecção urinária — muita gente ainda acha que homem "não pega", até pegar. O terceiro é disfunção erétil, que voltou a aparecer em conversas depois das feiras de saúde masculina que a prefeitura de São Paulo montou perto de terminais de ônibus e estações de metrô na zona leste.
Não escrevemos pra viralizar. Escrevemos pra quem sai do consultório com papel na mão e não entende metade do que está escrito. Pra quem pesquisa "xixi escuro" à meia-noite e encontra só anúncio de clínica particular. Pra quem mora no interior do Paraná e depende de encaminhamento pra capital pra fazer ultrassom de próstata. Se você se reconhece em algum desses perfis, provavelmente vai achar utilidade nos textos abaixo.
Um detalhe que repetimos sempre: saúde masculina não é só próstata e ereção. Pedra no rim, varicocele, câncer de testículo, incontinência depois de cirurgia — tudo isso entra na urologia e merece espaço sem tabu. Nesta primeira leva focamos nos três assuntos mais urgentes segundo nossos leitores, mas a pauta cresce conforme as mensagens chegam em [email protected].
Se você trabalha em UBS, hospital ou associação de pacientes e quer sugerir tema com base no que vê na fila de espera, escreva. Já recebemos relatos de mutirões em Belo Horizonte, de fila de PSA na Baixada Fluminense e de feira de saúde em praça de bairro no ABC paulista — cada história ajuda a calibrar o tom e o vocabulário dos próximos textos.